quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O Concilio de Nicéia



Continuando o post anterior sobre o Édito de Milão, um fato muito importante que foi mostrado sem muito aprofundamento foi sobre o Concilio de Nicéia que ocorreu em 325 D.C. O Concilio de Nicéia foi tão ou mais importante até que o Édito de Milão para as nossas crenças atuais.


Constantino percebeu que a estabilidade do seu império dependia em uma grande parte em unificar as facções da nova Religião oficial do seu Estado. O imperador Constantino, sem renunciar o título de Pontifex Maximus (Líder da religião pagã do Estado de Roma), convocou o primeiro concilio ecumênico de Bispos em 325 para estabelecer uma uniformidade na doutrina cristã.


Mas essa não foi uma reunião qualquer de Bispos. O imperador não apenas os convocou, mas pagou todas as despesas de viagem, acomodação, alimentação, etc. A ordem imperial era uma força persuasiva que fez com que o Concilio de Nicéia definisse algumas questões sobre a fé e terminasse com a controvérsia Ariana sobre a Trindade.


O concilio de Nicéia é chamado de “um dos mais importantes na história do Cristianismo” pela enciclopédia britânica.


Lá vinham eles, andando através dos soldados Romanos que apenas 20 anos antes participaram do ultimo massacre e tortura aos Cristãos. Eles fizeram isso com a mesma crueldade com que mataram Jesus três séculos antes.


Imaginem o que se passava na cabeça daqueles Bispos (que apenas 20 anos antes eram perseguidos e mortos) quando estavam chegando em Roma. Você realmente acha que algum deles iria contrariar alguma ordem ou idéia do imperador?


O historiador Rolan Bainton escreveu: “Foi convocado o primeiro concilio ecumênico, ou universal, porque estavam presentes bispos do oeste e do leste. Para celebrar o vigésimo aniversário do reino religioso, Constantino convidou os bispos para jantarem com ele. Quando aqueles que tinham sobrevivido a grande perseguição passaram por uma grande fila de soldados Romanos para sentar com o imperador, eles se perguntavam se o Reino de Deus já tinha vindo, ou se estavam sonhando. (Roland H. Bainton, Christianity (American Heritage Library, 1964), p. 9)


O imperador presidiu o Concilio de Nicéia e outros concílios subseqüentes da Igreja Cristã enquanto ainda era Pagão. E mesmo assim as Crenças que vieram e foram decididos nesse e outros concílios na época do imperador Constantino são guardados e obedecidos até hoje como verdades para o Cristianismo, tanto Católicos como Protestantes. Esses Bispos junto com Constantino formaram a base para julgar o que é e o que não é uma fé Cristã ortodoxa, prática e Doutrina até os dias de hoje.


O que foi debatido no Concilio de Nicéia?

Entre outras coisas foi discutido a fixação da data da Páscoa, em um domingo é claro, em homenagem ao Deus Sol Thamuz, provavelmente com influencia do Imperador Constantino. Mas o debate principal foi sobre Jesus Cristo.

Quem foi Jesus? Ele era mais divino que humano ou mais humano do que divino? Jesus foi Criado ou Concebido? Sendo o filho de Deus, ele é igual e eterno como o Pai, ou está em um status menor que o Pai? Seria Deus o único e verdadeiro Deus, ou O Pai, o Filho e o Espírito Santo que formam UM verdadeiro Deus? Um ser, três pessoas, Trindade?

Esses foram os principais pontos debatidos e para vocês verem o quão importante foi o Primeiro Concilio de Nicéia, tudo o que foi decidido lá pelo imperador e pelos bispos é chamado de “Credo Niceno” e é exatamente o que todos os Cristões acreditam até hoje, tanto Católicos como Protestantes. Resumindo ficou decidido que a trindade é a verdade bíblica.

Independentemente de o que eles decidiram é a verdade absoluta ou não, o que podemos concluir é que o que é aceito como verdade absoluta do Cristianismo até os dias de hoje foi decidido por Constantino e vários Bispos de diversas regiões do mundo conhecido na época em uma reunião na cidade de Nicéia.

E o mais importante disso tudo, é que o real objetivo era de formar um doutrina única sobre a igreja crista para fortalecer o império e o poder do Estado Religioso. 

As Crenças formadas nesses concílios eram debatidas e impostas hostilmente. Para aqueles que debatiam e perdiam o debate, como Arius (Segundo o arianismo, o Filho de Deus, segunda pessoa da Trindade, não tinha a mesma essência do Pai, sendo uma divindade de segunda ordem já que nascera mortal. Os ensinamentos de Ário foram condenados no primeiro concílio de Nicéia, onde se redigiu um credo estabelecendo que o Filho de Deus era “concebido e não feito”, consubstancial ao Pai.), eram exilados e até mortos, seus livros queimados e suas propriedades confiscadas. Essas atitudes eram anotadas nos livros do concilio sem qualquer vergonha.

Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; (Efésios 4:1-3)

Os Bispos do Concilio invocaram maldiçoes (Anátemas) para aqueles com doutrina incorreta, que significava contrária aquilo decidido no Concilio como doutrina correta. O Concilio de Nicéia de 325 D.C terminou com as seguintes palavras:

“But, those who say, once he was not, or he was not before His Generation, or He came to be out of nothing, or who assert that He, the Son of God, is of a different hypostasis, or that He is a creature, or changeable, or mutable, The Catholic and apostolic Church anathematizes them.”

Traduzindo, o texto diz que todos que falarem que o Filho de Deus não é divinamente enviado, que ele é uma criatura, ou mutável, a Igreja Católica e Apostólica amaldiçoa essas pessoas.

Vamos ver o que o Apóstolo Paulo tinha a dizer sobre esses julgamentos.

Se alguém não ama o Senhor, seja anátema. Maranata! (1 Coríntios 16:22)

Então vendo por esse lado parece estar correto, mas “amar o Senhor” foi claramente definido pelo próprio Jesus Cristo:

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. (João 14:21)

Então de acordo com Jesus quem é que o ama? Aquele que guarda seus mandamentos correto?

Em algum lugar nos mandamentos ou no evangelho de Cristo está dito para agente amaldiçoar alguém? Ou para matar? Paulo disse “que seja amaldiçoado”, mas não por nós, nós servos de Deus não temos direito de amaldiçoar ninguém, nós temos que amar.

E o novo mandamento é este:

Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. (João 13:34-35)

A primeira Igreja em Atos obedecia os mandamentos. Eles eram capazes de perdoar os inimigos e viverem suas vidas para Deus.

E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito!
Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu. (Atos 7:59-60)

Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. (1 Timóteo 2:1-2)

Paulo usou a palavra anátema baseado nas palavras de Jesus sobre aqueles que não ouvem seus irmãos e persistem no pecado:

Se teu irmão pecar [contra ti], vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça.
E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano. (Mateus 18:15-17)

Que Paulo entendia o que significava exclusão da Igreja é evidente nessas palavras abaixo, em “nao se associar” com o impuro:

Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais.
Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro?
Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor. (1 Coríntios 5:11-13)

Mas o grande problema foi quando se perdeu a noção em relação a Igreja e a Sociedade. Quando a Igreja englobou e se infiltrou na sociedade e o Imperador veio como o Cabeça de ambos a Igreja e o Estado, excomunhão (Excomunhão é uma punição religiosa utilizada para se retirar ou suspender um crente de uma filiação ou comunidade religiosa.) chegou a um nível de terror. Quando os concílios falaram de maldiçoes no tempo de Constantino pra frente, era o Estado que impunha as penalidades sobre aqueles que eram “amaldiçoados” pela igreja.

Com o inicio do império cristão com Constantino e seus sucessores no quanto século, as autoridades Cristas ganharam a oportunidade de perseguir seus rivais judeus e todos os outros grupos não cristãos. Desde a época de Constantino até o presente século cristãos tem freqüentemente usado essa oportunidade.

Ser “amaldiçoado” pela igreja podia significar varias coisas, como por exemplo perder o direito de ser padre ou direito sobre um cargo (até de Governador), ter suas poses confiscadas, ter suas obras literais queimadas, ser exilado, ser torturado, e até ser morto.

O segundo Concilio de Constantinopla também termina com palavras para amaldiçoar aqueles que iam contra a doutrina decidida nos concílios. 

Então foi a falta de amor e lealdade a palavra de Cristo que destruiu a Igreja, e não a falta de uma doutrina rígida sobre a Trindade.

E o Concilio de Nicéia foi apenas o primeiro desses concílios ecumênicos, e se tornou modelo para muitos outros que vieram depois. Era ecumênico no senso de que reunia bispos de todo o mundo conhecido. Era ecumênico em um senso mais técnico porque suas decisões influenciavam todo o mundo cristão e não apenas determinadas dioceses.

Os sete Concílios ecumênicos, que formaram as fundações universais do Cristianismo, seguiram esse mesmo esquema. Assim como o primeiro, eram convocados pelo imperador. Seis dos sete ocorreram perto ou em Constantinopla. Mais um fato para reflexão do domínio do império secular do Oeste.


Uma conclusão que podemos tirar é que independentemente do que ficou decidido sobre a doutrina da trindade, sendo ela uma verdade absoluta ou não, todo o resto das atitudes que resultaram do Concilio de Nicéia vão contra a Palavra de Deus. O que ficou decidido ali desencadeou as Crusadas, a Inquisição, a reforma protestante, guerras, separação, ódio, e não o amor.   

5 comentários:

  1. Muito boa essa série, hein Jota... deixei pra fazer um comentário só pra não foca repetitivo, mas é muito esclarecedor e penso que todo ristão deveria ter conhecimeto disto. Por que precisamos sber em que cremos, e por que cremos.
    Abs
    Georges

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  2. Como tem gente que pega documentos históricos , distorce os acontecimentos e tem gente que segue !

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